Fui a uma festa de confraterzinação da Escola de Música hoje.
Sou uma boba, e algumas coisas que faço (ou não) são vergonhosas para uma garota da minha idade. De qualquer maneira, gostei; me diverti. Foi muito bom. Vi como estou para trás em questões de técnicas vocais - os outros alunos estão disparados na minha frente, são incríveis! - e o quanto tenho potencial! Vi que surpreendi de forma positiva, e, apesar das apresentações não terem saído do jeito que eu gostaria e muito menos perfeitas, foi gratificante; fiquei muito contente.
Porém, na volta para casa, houve uma pequena discussão no carro.
Minha mãe quer que eu pare ano que vem com as aulas para me dedicar um pouquinho ao violão.
Eu quero MUITO aprender violão, de fato, assim como piano. Mas esse acompanhamento profissional, essa evolução que tenho tido, essas técnicas e cuidados que me tem sido passados, o carinho e o incentivo que tenho tido da minha professora, e até mesmo o carisma dos meus colegas que descobri hoje... Todas essas coisas que me têm sido proporcionadas graças às aulas de canto... Não quero perder - mal começaram!
Não quero perder...
Perder...
Perder...
Eu estou crescendo. E, pra ser sincera, não quero.
Mais tarde, ainda no carro, minha mãe comentou comigo:
"Hoje seu irmão me ligou. Disse que quer dormir amanhã de novo na casa do vô. Aí eu disse: 'Não sei, Guto, tem que ver com o vô, se pode, se não vai incomodar...' daí ele: 'Mas mãe, foi o vô mesmo que me convidou! Ele disse que gosta muito de mim e que quer muito que eu durma aqui de novo!' Hahaha, tão bonitinho, né?"
Na verdade, bonitinho não. Lindo.
Parei para refletir de novo. Discretamente, deixei algumas lágrimas escorrerem.
Novamente, me lembrei que não quero crescer. É que crescer é perder.
Tenho (quase) tudo que gostaria de ter. Meus avós, minha família unida - e (quase) todos morando debaixo do mesmo teto - , um namorado que eu amo e me devolve o mesmo sentimento, uma banda, aula de canto, a música, tempo livre, amigos para sair e falar bobagens, um corpo não feio que agüenta um relógio biológico e uma alimentação muito irregulares, mais uma chance de fazer algum ano do meu colegial inesquecível, mais um ano para escolher o que prestar no vestibular...
Porém, a qualquer momento, posso simplesmente perder as coisas.
Meus avós, que tanto me amam e me dão carinho, que já tanto cuidaram de mim e eu nem sequer me lembro... A qualquer hora podem ir embora pra sempre.
Minha família, aos poucos, pode ir se separando e cada um indo para um lado. Cada um trabalhando com alguma coisa, cada um com seus compromissos e suas ocupações, cada um morando em um canto... E de repente, aquele carinho, aquele calor, aquele amor e afeto que eu tanto recebi dos meus pais mesmo antes de nascer, e que já mal sinto hoje em dia porque estou mais CRESCIDA, talvez eu esteja dando a outro pequeno ser humano.
Se eu me mudar, o meu namorado, a minha banda, as minhas aulas de canto, os meus amigos... Todos provavelmente vou perder. Até mesmo se eu continuar os tendo; de alguma maneira, vou perdê-los.
E até mesmo se eu não me mudar, não importa... Cheguei a triste e real conclusão:
Não importa o que aconteça, eu estou sempre caminhando ao lado da perda. E para onde? Para a própria.
É impossível impedir. O meu corpo vai diminuir a resistência, o meu tempo livre será ocupado pelo meu ganha-pão (que mal faço idéia qual será!), os meus tempos de colégio os próprios vão levar-se...
Cada passo dado, cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo... É um a menos com algo que tenho.
Cada pisco que meus os olhos fazem, cada pigarreio que dou, cada suspiro meu, são um a menos para a perda de mim mesma.
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Aproveite tudo que você tem agora. Hoje mesmo, mais tarde, você pode não ter mais.
E divirta-se.
/postemodedesabafo