Me aventurando por sites e notícias ontem, na internet, encontrei uma notícia um tanto polêmica e curiosa aqui.
Antes de tudo, quero esclarecer que venho comentar essa história, porque, mais que uma opinião sobre um caso isolado, isso gerou um ponto de vista meu (saindo quentinho do forno após longas horas de preparação, aliás) sobre um assunto muito mais abrangente e relevante que um simples pitaco superficial sobre a vida alheia. E tudo isso se tornou mais uma reflexão pessoal que eu gostaria de compartilhar. Enfim...
Essa preocupação dos pais com o filho é, de fato, importante. Querer que ele não tenha influências externas que o levem a ter uma visão preconceituosa sobre as diferenças de gêneros, por menor que seja, é altamente compreensível, e sou de acordo (isso, claro, se as minhas interpretações sobre o objetivo deles estiverem de acordo com a realidade).
Mas a questão é: ter escondido do menino que HÁ SIM dois gêneros diferentes iria realmente atingir esse objetivo?
Penso que não.
A existência física de dois gêneros distintos é um fato, é real. Homens nascem com pênis, mulheres nascem com vulvas (salvo algumas exceções, como o caso dos hermafroditas). HÁ SIM o sexo masculino, HÁ SIM o sexo feminino. E negar isso talvez, ao invés de esclarecer, só confundiria ainda mais a mente do garoto. Até porque, vejamos bem, mais cedo ou mais tarde ele descobriria que "eita! Aquela outra pessoa ali tem um risquinho no lugar do penduricalho. Que coisa estranha!" (e isso, possivelmente, pode ter sido uma das razões para os pais não terem dado continuidade à omissão da existência dos gêneros).
Uma solução que vejo como possibilidade para evitar esses preconceitos machistas que, percebam ou não, ainda são sim muito fortes e negativamente influentes na sociedade "evoluída" atual, é deixar insistentemente claro aos filhos, desde pequenos, que as distinções entre os gêneros são APENAS físicas, de CORPO. Em outras palavras, de SEXO. E que os fins disso não passam de funcionais quanto a procriação da espécie. Afinal, apenas uma mulher tem o poder de carregar um filho até que esteja pronto para nascer, seja ele dela ou não. E, para isso, também é preciso de uma parte que só o homem pode doar, independente de métodos (como coito ou inseminação artificial, por exemplo).
Ou seja, as diferenças EXISTEM, e tem lá o seu propósito, mas não tornam um gênero melhor que outro. E diferença não é sinônimo de desigualdade aqui.
Mente e alma humanas, ou melhor, qualquer espécie de mente e alma, não tem gênero. Elas só parecem ter, às vezes, porque sofrem diariamente influências de valores culturais que CRIARAM desigualdades inexistentes sobre elas. Na verdade, talvez, a única diferença real entre mentes de gêneros físicos distintos, seja proveniente de influências hormonais que agem sobre elas (e que, aí sim, depende um pouco do sexo, já que eles dominam hormônios diferentes). Mas, enfim, não acredito que seja de proporção relevante.
A questão é que ideias, pensamentos e sentimentos são o que formam mentes, que, só por sua existência, nada mais são que as próprias almas. Além do mais, nada disso é palpável. São todos aspectos abstratos; não passam de psicológicos formados por impulsos cerebrais. E cérebro é o "mesmo" pra todo mundo.
Escrevo '"mesmo"' porque, obviamente, é muito relativo. É que, se formos analisar um a um, fica evidente que a diferença varia de indivíduo para indivíduo. Todo ser animal, para estar vivo, precisa de um cérebro. Mas cada um sofre influências e estímulos diferentes, formando misturas peculiares e, consequentemente, mentes únicas.
Eis aí, portanto, a grande diferença real entre o cérebro masculino do feminino: nenhuma além da individual de cada ser.

Temos , cada um, preferências, gostos, genética, experiências, desejos, princípios, vontades, limitações, capacidades, dificuldades, habilidades, convicções, históricos, VIDAS, e uma infinita lista de outros aspectos pessoais, pertencentes única e exclusivamente a cada um de nós, apenas. Independente do que carreguemos entre as pernas.
Por fim, retomo brevemente algo que já escrevi, só para reforçar: as distinções entre os gêneros são apenas físicas. Mas físico não se aprofunda, não passa de superfície. Sua única utilidade real (quando existente) é ter uma função específica. Fora isso, qualquer julgamento ou questionamento é descartável.
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Antes de encerrar o post por completo, mais algumas notas que acho importante deixar (não pontuei durante o texto para não sair do foco):
1) "Querer que ele não tenha influências externas que o levem a ter uma visão preconceituosa sobre as diferenças de gêneros, por menor que seja, é altamente compreensível, e sou de acordo" Mas, a não ser que esteja isolado de qualquer contato humano em uma ilha, acho impossível impedir influências externas na formação de uma pessoa. Não acredito MESMO;
2) "A existência física de dois gêneros distintos é um fato, é real. Homens nascem com pênis, mulheres nascem com vulvas (salvo algumas exceções, como o caso dos hermafroditas)"
Geralmente hermafroditas acabam optando por um único sexo, não dependendo necessariamente do órgão reprodutor que carregam. E não se deve ligar para o que foi escolhido por eles. Na verdade, ninguém deveria ligar para escolhas alheias quando não se é, de fato, prejudicado por isso. Além do mais, escolhas também pertencem única e exclusivamente a quem as faz. Não cabe a nós, meros espectadores, julgar ou questionar.
(E o mesmo vale para mim com os homo, trans e bissexuais, antes que me perguntem);
3) As funções exclusivas dos gêneros físicos as quais me refiro, são REPRODUZIR seres de uma mesma espécie. Não necessariamente CRIAR ou EDUCAR;
4) Relendo a notícia agora, no último minuto antes de publicar o post, percebi que, na verdade, os pais esconderam de OUTRAS pessoas o sexo do garoto; não necessariamente dele mesmo. Então ignorem a minha indagação sobre a eficácia do método como uma crítica à ELES, e entendam como um questionamento geral para casos como os que eu interpretei (que, em algum lugar do mundo, devem acontecer). [É que não aguento mais mexer nesse post, rs]