quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Antigatualmente

"Aqui eu aprendi a valorizar mais a amizade, a família e, até mesmo, os estranhos. Sofri muito e fiquei sozinha por muito tempo, mas depois de bastante solidão, finalmente encontrei pessoas que me fizeram sorrir, pessoas que me fizeram feliz e que mudaram a minha vida (pra melhor, é claro). Tudo o que eu aprendi aqui gostaria de tentar aplicar lá.
Sim, isso é uma decisão. É realmente duro fazer esse tipo de escolhas, mas se é para fazer, estou fazendo.
Aqui é muito bom, e sem dúvidas, é mais fácil lidar com essas pessoas. Vou sentir muita falta, e vai doer muito, ao mesmo tempo em que darei graças a Deus.
Qualquer que fosse a minha escolha, eu iria ficar contente e triste, assim como deixaria outras pessoas neste mesmo contraste de sentimentos; qualquer que fosse a minha escolha, eu teria medo. E, no caso dessa, eu tenho medo de não ser como eu imagino que será, de machucar e brigar com quem não quero, de perder pessoas que amo, perder oportunidades, e, principalmente, medo de me arrepender profundamente. Mas... É como se eu TIVESSE que voltar.
Eu acredito que estou vivendo por algum motivo, com alguma missão, não apenas por viver. E eu sinto que pelo menos por agora tenho que ficar lá.
Não é que eu não goste daqui, aliás, minha vida aqui está invejável aos olhos de muita gente; minha vida aqui está maravilhosa. Entretanto, como já falei, sinto que preciso voltar. Estou com medo de sofrer mais e de me arrepender, mas estou disposta a correr este risco. E por enquanto, é esta a minha decisão."

Acabei de encontrar esse texto fuçando o labirinto de arquivos do meu computador. Achei interessante, até porque me faz pensar que eu escrevia muito melhor aos 14 anos do que atualmente.
De qualquer modo, hoje em dia posso dizer que a tal decisão foi de fato tomada, mas não executada. E atualmente estou apenas deixando que a vida me leve.
Ainda sinto essa sensação de ter que voltar, de missão. E, recentemente, uma grande tristeza por falta, por saudade. De mim e dos outros.
Vivo me perguntando como eu e minha vida estaríamos se essa separação nunca tivesse ocorrido. Acredito que não fosse por ela, eu não teria adquirido tanto conhecimento por observação, nem uma certa habilidade. Também talvez não tivesse aberto minha mente e coração para o mundo de quem parece diferente de mim.
Entretanto, não estou satisfeita com quem tenho sido ultimamente - sei que sou capaz de muito mais. O problema é que não me sinto à vontade para viver intensamente diante de quem pouco conheço. Além disso, um sentimento de imaturidade, solidão e regresso têm me rodeado por esses tempos, dentro e fora de casa.
Mas percebi que, na verdade, no fim, eu só preciso mesmo é pisar em terra firme.
Eu só preciso mesmo é resgatar meu ambiente-seguro.